quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

"Lei Seca" Espanhola Faz Cair Venda de Vinhos


Não é só no Brasil que isso acontece. Na Espanha o consumo de vinhos em bares e restaurantes caiu fortemente no terceiro trimestre de 2010, representando uma perda de um terço das vendas. Esse foi considerado a pior fase da história. Um dos principais fatores para esta queda é a luta rigorosa contra o álcool que é realizada pelo Departamento de Trânsito local. Neste caso, somente os hotéis obtiveram aumento nas vendas em valor de 11,7% e 30% em volume.

De acordo com o publicado pelo Ministério do Meio Ambiente e Assuntos Rurais e Marinho e analisado pelo Observatório Espanhol do Mercado do Vinho, o mês de setembro de 2010 apresentou uma queda nas vendas de 9,2% em valor e cerca de 12,3% em volume. Além disso, o preço do produto obteve aumento de 14 centavos, quando comparado ao mesmo período do ano anterior, chegando a custar 3,92 euros por litro.

Em todos os tipos de estabelecimento, com exceção dos hotéis, principalmente no período noturno, as vendas caíram cerca de 33% em valor e 31% em volume. Estas baixas em valor e em volume representam a redução nas vendas de vinhos sem denominação de origem. Já os vinhos com denominação de origem caem menos, cerca de 6% em valor e 6,5% em volume. As compras por atacado perderam mais de 50 milhões de euros e 18 milhões de litros no período.

fonte REVISTA ADEGA

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Macarrão Chinês



Esse vídeo foi feito no Rong He, no bairro da Liberdade em São Paulo e mostra como os grandes mestres do noodle fazem sua massa.

O Restaurante Rong He é conhecido, justamente, por fazer o Macarrão Chinês ao vivo. O lugar vive lotado durante os fins de semana. Sempre foi recomendado por todos os grandes guias. Vale a visita!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O Encontro entre o Café e o Vinho


A relação entre vinho e café pode ter começado a milhares de anos. Mas os dois produtos traçaram caminhos diferentes no mundo, principalmente com relação às suas complexidades. Entretanto, os dois andam lado a lado quando falamos em aroma, sabor e cuidados durante o processo de produção.

O vinho criou uma cultura de apreciação importante e cativou amantes há décadas. O café, por sua vez, vem atualmente formando esse hábito e têm conseguido acompanhar o caminho do primeiro. Por fazerem parte de mercados de produtos diferenciados, ambos têm similaridades e podem ser comparados relativamente ao status de consumo.

O mundo do vinho permite, com frequência, comparações entre safras de diferentes regiões produtoras, entre uvas de espécies distintas e tecnologias de vinificação. Cada tipo de vinho possui seu momento apropriado para degustação.

Com o café não é diferente. O preparo que será dado ao café e a última etapa pela qual passa o produto influenciam fortemente na qualidade final na xícara, além, é claro, do beneficiamento e da torra do grão.

As vinícolas têm receitas milenares de cultivo que, aliadas aos diferentes microclimas das regiões onde são cultivadas e ao cuidado de cada produtor com o solo e a vinha, conferem às bebidas notas altas. A junção desses fatores é denominada terroir e influencia no resultado final do vinho produzido. Assim como a uva cultivada e as variedades, que passam por diferentes processos de vinificação, o café tem algumas espécies comercializadas e variedades distintas.

No entanto, é possível estabelecer uma relação direta entre os processos pelos quais passam os dois produtos. O fruto do café, conhecido como cereja quando maduro, deve ser colhido na sua maturação plena, assim como a uva na videira. Outras etapas importantes do vinho e do café são a fermentação e a torra, respectivamente. Estas fases determinam a qualidade e o tipo de bebida ou grão que chega ao consumidor.


O processo de fermentação do vinho é complexo, com diversas nuances entre os tipos de bebidas a serem preparadas. No geral, é um fenômeno natural no qual o açúcar contido nas uvas se transforma em álcool sob a ação de leveduras. Simultaneamente ocorrem outras reações químicas que, ao final do processo, resultam no vinho que conhecemos. O tempo de fermentação, a forma como toda a vinificação é realizada e o armazenamento para envelhecer ou seguir para o engarrafamento determinam a qualidade, o aroma e o sabor do produto.

O mesmo acontece com o café no processo de torra, que ocorre respeitando as características do grão beneficiado, o tipo de preparo que ele irá receber e as possíveis diferenças de paladar e gosto do consumidor do produto. O mesmo grão torrado de maneiras diversas, nível do claro ao escuro, resulta em uma bebida completamente distinta que pode acentuar as qualidades ou mascarar defeitos dos grãos. Do lado positivo podem-se notar nuances cítricas, florais e doces ou negativas, como amargor e adstringência, por conta de um beneficiamento incorreto ao longo do processo ou de uma torra muita escura.

O sommelier, conhecedor da arte para harmonizar o vinho, indicará a melhor temperatura para cada tipo de bebida. Há também o cuidado com a taça escolhida, que deve ser preferencialmente lisa, incolor, com pé alto e diâmetro de boca menor que o do corpo, o que facilita a análise olfativa.

O café não chega pronto ao consumidor, esta a grande diferença entre ele e o vinho. Para prepará-lo corretamente é necessária a participação do barista, profissional que há poucos anos começou a ter sua importância reconhecida no mercado de cafés de qualidade. O barista carrega a responsabilidade de entregar ao apreciador um café bem tirado, que destaque todas as nuances que o grão apresentou durante o processo de produção.

A última etapa da cadeia cafeeira está nas mãos deste profissional, que irá realizar a moagem adequada do grão para o tipo de preparo. No filtro ela é fina, na french press e na cafeteira italiana deve ser grossa e para o espresso, média. A quantidade de pó para a proporção e temperatura ideais da água, a regulagem do acessório ou maquinário utilizado e o tempo de contato da água com o pó são pontos importantes para os quais o barista deve atentar, além da escolha da xícara de formato correto e sua temperatura.




sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O Perigo do Marketing 2.0: Promoção Frustrada Hot Pocket SADIA

A história é velha, mas ainda não deixou de ser boa. Em 2007, a SADIA criou uma promoção com conteúdo gerado pelo consumidor. Tudo bonitinho, bem feito, com site bacana, moderno, integrado ao YOUTUBE.

Com a intenção de se posicionar como produto jovem e prático, premiava os vencedores com Nintendos Wii e iPods Vídeo. Tudo para abrir um canal com os jovens da internet 2.0.

O tema: "O que Você Pode Fazer Enquanto Espera o seu HotPocket Ficar Pronto?"

E, como eles estavam lidando com pessoas jovens e descoladas, a resposta não demorou a chegar. Um vídeo provocativo produzido e enviado por Rafael Alves chegou e deu o que falar.


Esse vídeo acabou se transformando num viral, que correu o país. Hoje, a história serve de exemplo para estudos sobre o poder da internet, da influência das redes sociais e do perigo, ao pessoal de marketing, de lidar diretamente com o público. Empresas grandes como a SADIA conseguem contornar o problema causado, mas se o mesmo caso acontecesse com empresas menores, o final poderia não ser muito feliz.

Infelizmente, não conseguimos achar o resultado final da promoção...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Como se Faz Shoyu?


A data de surgimento do shoyu diverge bastante de uma fonte para outra. As mais confiáveis dizem que o shoyu é um produto até que recente da culinária oriental no formato líquido que conhecemos, tendo cerca de 500 anos apenas. Antes disso, o shoyu era um molho rudimentar, de consistência pastosa, feito a base de grãos mofados, para preservar os alimentos durante o transporte. Era preparado utilizando condimentos mais comuns na região, como o sal, o vinagre e o missô, uma pasta fermentada e salgada feita de soja, muito utilizada em sopas e pratos frios. Até a criação do shoyu, o peixe era acompanhado por um molho à base de umeboshi (tipo de ameixa, que hoje em dia é encontrada em conservas salgadas), flocos de peixe seco e sake.

O molho de soja tem provavelmente origem chinesa e é feito a partir da fermentação de grãos de soja e trigo, agregados a um fermento, água e sal. Em substituição ao trigo, também pode ser usado feijão ou milho, que deixam a mistura um pouco mais adocicada. A soja é cozida, o trigo é torrado e levemente esmagado e os dois são misturados para depois receberem o fermento (o mesmo usado para produzir o missô). Na fabricação tradicional, a mistura é fermentada por cerca de três dias, sendo revolvida sempre que a temperatura da massa se aproxima de 40ºC. No final, são acrescentados sal e água. Então, a mistura vai para um tanque onde descansa cerca de um ano até ser filtrada, pasteurizada e embalada. Claro, esse é o método tradicional e caseiro, feito assim desde que foi inventado. O shoyu de boa qualidade não precisa necessariamente ser preto, pode ser marrom ou até mesmo um pouco avermelhado, mas têm que ser translúcido. 
 
Hoje, porém, existe uma larga produção industrial de shoyu, que alguns costumam chamar de sintética, na qual os aminoácidos da soja são separados por hidrólise e acrescenta-se caramelo e aromatizantes. Mas mesmo esse processo para obter o molho leva cerca de uma semana.

O shoyu contém proteínas, cálcio, vitaminas, principalmente do complexo B, e enzimas obtidas com o processo de fermentação da levedura. Tem ação antioxidante e pode prevenir doenças como osteoporose, câncer de mama e do colo do útero. Contudo, possui grande quantidade de sódio e sal. Outra possível restrição ao shoyu é que ele contém glutamato monossódico, que pode ser nocivo se consumido em grandes quantidades, levando em conta que o organismo dos ocidentais não está tão acostumado a essa substância quanto os orientais. Por isso, deve ser consumido com moderação. Hoje em dia já existem as versões light, que contém menos calorias e, o mais importante, menos sal.

No Brasil, o shoyu só "estreou" há 100 anos, juntamente com o início da imigração japonesa para o país. Entretanto, no século XV, os holandeses já haviam descoberto seus encantos e o tempero já começou a circular pela Europa com o nome de Soy. Especula-se que era esse o condimento secreto usado nos banquetes da corte francesa de Luís XIV, servido em potinhos espalhados pela mesa, que fascinava os comensais. O molho de soja japonês era levado para a Europa em garrafas de prata e, apesar de seu custo elevado, acabou tornando-se popular entre os nobres.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Gastronomia Arrogante Pode Causar a Volta da Comida sem Frescura


Podemos começar a postagem de hoje citando o espanhol Manuel Vásquez Montalban, autor do livro Contra los Gourmets: "O gourmet nunca esquece o nome do morto. E enquanto o come, faz menção expressa a ele, seja javali ou alcachofra, e lembra de outros assassinatos e devorações anteriores, porque o prazer de comer deve vir acompanhado da memória de festins passados." Comida boa, todo mundo gosta. Mas o problema é que, para o gourmet, não basta comer, tem que contar.

Segundo André Barcinski, crítico de cinema da FOLHA e assumidamente "bom de garfo", com a modernização da culinária e a hipervalorização da alta gastronomia, as pessoas estão ficando cada vez mais 'sofisticadas', mas cada vez mais chatas. Elas discutem o prato em vez de comer. André se tornou um pouco mais conhecido pelos militantes da Gastronomia após o grande sucesso do seu Guia da Culinária Ogra, postado em seu blog. Guia em que fomos singelos eleitores e ajudamos a emplacar o CHI FU e a menção honrosa do BIU em São Paulo.

Uma outra proposta que evidencia o cansaço do papo-gourmet é o grande sucesso é o programa Larica Total, no Canal Brasil, que funciona muito bem como uma sátira aos programas tradicionais de culinária e aos grandes chavões gourmets. Paulo Tiefenthaler diz que em seu programa não existem faisões, trufas ou fungos australianos, nem outras raridades psico-sofisti-palhaçadas de carinho. A culinária de guerrilha é feita de "clássicos" como yaksobra, sushi de feijoada e bolinho de miojo.

Nina Horta, a primeira dama da gastronomia brasileira, se queixa de ter que escrever cardápios usando 'tartelete de alho-poró mimoso' ao invés de massinha com creme de milho, como gostaria e considera correto. Segundo ela, apesar de uns poucos grandes cozinheiros estarem fazendo comida nova e gostosa, os experimentos e supostas sofisticações já deram o que tinham que dar para a maioria das pessoas.

Nina Horta ainda se diz cansada do que ela chama de "food victims", vítimas das modas gastronômicas. "Desconfio sempre das modas. A nouvelle cuisine, cheia de frescuras, surgiu na época dos yuppies, que tinham muito dinheiro para gastar. Agora, se as coisas que as pessoas podem comer têm que ser mais baratas, vão começar a glamorizar outros tipos de comida. É um jeito de serem felizes com aquilo que têm."

Desse ponto de vista, a reação ao papo-gourmet não surge apenas porque as pessoas cansaram, mas também porque precisam gastar menos para sustentar o prazer. A chef Heloísa Bacellar ainda lembra que o movimento por "comida de verdade" está crescendo em vários países do mundo.

Mas, a tropa de resistência aos modismos gastronômicos ainda terá de comer muito feijão e arroz até se impor. Brian Wansink, autor do livro "Porque Comemos Tanto", que se baseia em estudos científicos para mostrar o porquê das pessoas comerem em excesso e quais fatores influenciam diretamente na quantidade de comida que consumimos, diz que um bolo de chocolate pode ser vendido mais facilmente, com preço maior e até mesmo ser considerado mais gostoso se for chamado de "Bolo de Chocolate Cremoso da Vovó Naná" ao invés de Bolo de Chocolate. É uma percepção involuntária, que por mais que não acreditemos na Vovó Naná, nos faz pelo menos provar o tal bolo de chocolate cremoso... Dessa maneira, muito dos modismos que ainda virão farão sucesso pelo simples fato de querermos conhecer algo novo, diferente.

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